Aktiv: The Helvetica Killer?

Aloha!

Há 6 semanas o mundo da tipografia mundial foi abalado por uma fonte que de credencia a ser a Helvetica Killer. Estamos falando da Aktiv Grotesk, último lançamento da foundry Dalton Maag. A DaMa chamou um de seus designers, o brasileiro Fábio Haag, para a dificultosa tarefa. Fábio aceitou o convite do LOGOBR para falar sobre a Aktiv e seu processo de criação, que está intrisicamente ligado as suas pretenções.

LOGOBR – Você poderia, primeiramente, nos explicar o que é um fonte grotesk?

FÁBIO HAAG – As fontes ditas ‘grotescas’ pertencem a um dos primeiros estilos de tipografias sem serifas difundidos em larga escala. O termo ‘grotesco’ foi utilizado pela primeira vez em 1832, por William Thorowgood, da Fann Street Foundry; embora letras sem serifas já existissem previamente e na história antiga já em 500 a.C. Imagine que você vive em um período onde a grande maioria das tipografias são serifadas. Ao se deparar com uma com as serifas removidas, o termo ‘grotesco’ como adjetivo começa a fazer sentido.
Apesar de sua origem distante, o estilo popularizou-se de fato nos últimos 50 anos, com designers e usuários finais as escolhendo por sua neutralidade, estilo contemporâneo, utilitário e sério. Além disso, essa neutralidade permite a sua aplicação em uma variedade de contextos e mídias. Algumas das sem serifas grotescas mais populares são a Helvetica, Arial e Univers.


De onde surgiu a idéia de começar um projeto de uma grotesk?

O briefing veio do nosso Diretor de Criação Bruno Maag. Há anos ele critica o uso indiscriminado da Helvetica por designers que a utilizam para toda e qualquer ocasião, sem refletir a respeito. Além disso, uma alternativa às fontes grotescas famosas seria muito bem vinda em nossa biblioteca de fontes exclusivas – não tínhamos nada neste sentido.

O briefing resumia-se em projetar uma tipografia sem serifas grotesca com uma visão contemporânea, repensando detalhes e inovando onde fosse possível, porém, sem jamais perder de vista a funcionalidade e o tom de voz de tipografias como a Helvetica e a Arial.

Designers que utilizam a Helvetica para tudo precisam dar-se conta de que, utilizar a Helvetica hoje não é a mesma coisa do que foi utilizar a Helvetica nas décadas de 60, 70 e 80, quando ela se popularizou. Naquela época, várias identidades visuais eram modernizadas apenas tendo seus nomes escritos em Helvetica; era o que bastava para revitalizarem suas identidades visuais. A da American Airlines, por exemplo, criada em 1967 por Massimo Vignelli, continua assim. Mas é preciso perceber que o espírito modernista e de contemporaneidade que tornou essa tipografia um sucesso naquela época não funciona hoje. Para a nossa Aktiv Grotesk, era preciso repensar o estilo grotesco, com olhos atuais, para manter o mesmo impacto que consagrou este estilo 50 anos atrás. O pesquisador Rafael Cardoso me disse, certa vez, que ‘é preciso mudar para permanecer igual’, neste caso, podemos concluir que as grotescas não causam o mesmo impacto no mundo de hoje porque o mundo mudou; elas por sua vez precisam mudar, para permanecerem iguais, com o mesmo propósito o qual vieram ao mundo.

Com este pensamento, criamos uma tipografia de estilo grotesco com olhos no presente. Existem inúmeras outras interpretações do estilo. Outro acréscimo muito recente foi a Founders Grotesk do talentoso Kris Sowersby (de quem o LOGOBR postou o sketchbook aqui)– esta interpretação, por sua vez, é mais fiel à história do estilo e tem um clima mais ‘retro’ e industrial, eu diria. São diferentes abordagens a um mesmo tema.

A Akitv Grotesk é sua obra-prima? (O Fábio já lançou outros tipos, como a Foco, que está sendo usado no redesign do LOGOBR.)

De certa forma, acredito que sim. Ela foi projetada por mim, com consultoria do Diretor de Criação Bruno Maag e do Designer Sênior Ron Carpenter. Tivemos discussões exaustivas sobre cada detalhe, ponderamos e testamos inúmeras abordagens para determinados caracteres e sempre testamos a nossa Aktiv Grotesk comparando-a com as grotescas famosas, até que a nossa interpretação deste estilo fosse superior, na nossa opinião pessoal, em vários aspectos. O nível de refinamento minucioso que foi aplicado na Aktiv Grotesk é gigantesco. Além disso, foi um desafio criar algo novo com tantas restrições – não podíamos perder de vista o tom de voz da Helvetica e da Arial.  Ao comparar a Aktiv com a Helvetica, Arial e Univers, após 6 meses de trabalho quase ininterrupto dedicados à Aktiv Grotesk, estou muito satisfeito com o resultado.

Porque comprar a Akitv Grotesk?

O tom de voz neutro do estilo da Aktiv Grotesk, com um toque de contemporaneidade, pode ser utilizado em uma série de aplicações, tornando-a uma tipografia extremamente útil.
Compare a Aktiv Grotesk com as demais grotescas de seu acervo e verá que ela é uma interpretação moderna e de alta qualidade de um estilo cuja popularidade já foi testada pelo tempo.

Ali em cima você comenta que o Maag disse para “repensar detalhes e inovar onde fosse possível”. Como se constroi uma fonte inovadora? Vc poderia nos mostrar onde a Akitv Grotesk inova em relação as demais?

Acredito que a palavra ‘inovação’ no typedesign tenha um sentido muito mais sutil do que em qualquer outra área do design. Gerard Unger sabiamente nos adverte, ‘a tipografia evolui ao passo do leitor mais conservador’. Nesse sentido, na Aktiv Grotesk não tentamos reinventar o conceito das grotescas, e sim, executar este mesmo conceito com um olhar atual. “Repensar os detalhes” é exatamente isso. Foi muito mais um trabalho de execução primorosa do que de inovação conceitual. No conjunto, chegamos a um resultado novo, que de maneira geral é algo familiar e ao mesmo tempo inédito em seus detalhes íntimos. Observe, por exemplo, que na Aktiv Grotesk, a letra ‘a’ não possui uma terminação em curva na sua base direita, como existe, por exemplo na Helvetica. Concluímos que aquele elemento tem uma origem muito antiga, em contradição com o espírito contemporâneo pretendido nesta tipografia. Adrian Frutiger já sabia disso quando projetou sua Univers, e adotou uma leve curva na haste vertical, como também Robin Nicholas, aliás, na sua Arial. Na nossa Aktiv Grotesk, levamos este princípio ao extremo e removemos este detalhe completamente. Algumas pessoas irão argumentar que esta abordagem na letra ‘a’ reduz legibilidade; e é verdade, em teoria. No entanto, comparando a Aktiv Grotesk inclusive em tamanhos pequenos de textos verificamos que aquela terminação é desnecessária, e que o impacto visual de um acabamento limpo torna a tipografia muito mais jovem.


Agora a pergunta que alguém já deve ter feito: o que toda essa inovação trás de novo para os trabalhos dos designers/estudio/agências, visualmente falando? Essa modernidade no estilo grotesco é perceptível a quem?

Qualquer profissional com um olhar levianamente apurado para tipografia pode perceber isso. Ao analisar a imagem abaixo, por exemplo, verificamos que as letras da Aktiv Grotesk, à esquerda, nos parecem muito mais contemporâneas do que as seguintes, Helvetica e Arial. Embora isso envolva muito a opinião pessoal e sentimentos que podem variar de pessoa para pessoa, claro.

Como tem sido a recepção da Aktiv Grotesk pelo mercado, após 6 semanas de lançamento?

É muito interessante avaliar isso. A Aktiv Grotesk está dividindo a comunidade internacional de designers. Há quem a odeie e há quem a ame. No blog da revista Creative Review há uma discussão acalorada recheada inclusive de insultos pessoais ao Bruno Maag. E acreditem, nós estamos adorando tudo isso. É importante verificar na prática a força do lado emocional quando o assunto é tipografia, não apenas nós que vivemos disso todos os dias. E apesar destas duras críticas, posso lhes dizer oficialmente: a Aktiv Grotesk é a nossa fonte que mais vendeu em tão pouco tempo de vida. Um verdadeiro sucesso comercial.

Agradeço ao Fábio pela gentileza em nos dar essa entrevista. Esse já é parceiraço nosso. 🙂

Teste aqui a Aktiv Grotesk. O que achou? O espaço para perguntas está mais que aberto, o Haag está doido pra abrir uma super discussão aqui sobre Aktiv, Helvetica, Univers, Arial, grotesks, compra de fontes, typedesign…

27 Responses to Aktiv: The Helvetica Killer?

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Fernando Paes, Eduardo Loureiro. Eduardo Loureiro said: Matem a Helvetica e sejam o próximo alvo da furia pós modernista http://trunc.it/9h49w […]

  2. Bacana essa fonte. De fato parece mais jovem que as ‘concorrentes’.
    Tenho uma dúvida: em um dado momento, o Fábio fala que as pessoas usam Helvetica sem refletir a respeito. Noutro ele cita “O tom de voz neutro do estilo da Aktiv Grotesk, com um toque de contemporaneidade, pode ser utilizado em uma série de aplicações, tornando-a uma tipografia extremamente útil.”. Me parece que a ideia é que a Aktiv seja usada da mesma forma, em infinitas aplicações. Não seria contraditório?
    Fiquei curioso pra saber sobre a família da Aktiv. Ah… e dizer que essa fonte será a Helvetica Killer eu acho um pouco demasiado…
    De qualquer modo, belo post.
    [ ]s

  3. Apesar de apaixonado, eu não sou um grande especialista em tipografia, ainda tenho muito a estudar sobre, mas achei a Aktiv bem simpática, com linhas muito suaves.
    Acho que a palavra pra ela é bom gosto.

    Não acredito que seja uma Helvetica Killer, assim como acredito que nenhum tipo possa ser, por causa da história que a Helvética carrega consigo.

    De qualquer forma, acho a Aktiv uma ótima alternativa e fico bem feliz de ver o design brasileiro evoluindo e sendo reconhecido em campos tão específicos como a Tipografia.

  4. Fabio Haag disse:

    Olá Rogério, Advan!

    Valeu!

    Quanto a sua pergunta Rogério: fiz referência a designers que ‘usam a Helvetica pra tudo’, e não são poucos os que dizem isso abertamente. Esse comportamento é bem questionável, na minha opinião. É fechar-se ao mundo e a novas possibilidades. É lugar-comum.

    Claro, não iremos matar a Helvetica. Nossa intenção é fornecer uma alternativa de qualidade à ela. Para dominar o mundo, só vendendo ela pra Microsoft ou Apple 😀

  5. Grande Fabio,
    Cervejisticamente falando voce criou uma pilsen das tipografias. Conseguiu com toda a tecnica desenvolver um tipo altamente comercial! Vai vender demais, parabens

  6. Acho a observação do Fábio sobre o uso desnecessário (e deselegante, as vezes) da Helvetica muito verdadeira, mesmo.

    Eu mesmo já fiz uso dela, sem o menor pudor e hoje é algo que eu tenho pensado melhor a respeito.

    É muito bom quando alguém faz esse tipo de questionamento!

  7. Robson Silva disse:

    Eu tenho dúvidas. Existem criticas pelo uso demasiado da Helvetica, por isto, surgiu a Aktiv, no intuito de proporcionar uma alternativa para quem “idólatra” a Helvetica. Mas este ponto final não seria algo do tipo: NEW ARIAL?
    Não estou criticando o projeto, por favor, é de extremo bom gosto. Desejo muito sucesso (pois amo tipografia – mas não sou typedesigner).
    Parabéns cara, você tem ótimas fontes, inclusive já comprei uma fonte sua.

  8. Muito bom, ótima defesa.
    Só faltou na comparação ali em cima colocar a Univers também..

    Digo isso para auxiliar na seguinte pergunta;
    Você afirma que a terminação em curva da base direita da letra “a” da Helvetica por ex., é um elemento de origem muito antiga e não transmite o espírito contemporâneo, e diz que Frutiger já sabia disso quando projetou a Univers. Mantendo este mesmo “pensamento”, em relação as terminações da letra “C” ou “S”, você não acha que também por esse mesmo motivo Frutiger manteve/adotou o corte horizontal? Você não acredita que este corte horizontal transmita o “espírito contemporâneo”?

    Na comparação que você faz acima, o “c” da Helvetica possui este corte horizontal e me transmite melhor este espírito contemporâneo.

    Abs.

  9. Robson Silva disse:

    Ahh esqueci de dizer, falei NEW ARIAL como poderia falar HELVETICA KILLER. Apenas dei um clima de arrogância. rsrsrs.

  10. […] alguma vez na vida a tão querida Helvetica. O que tem a nova fonte Aktiv de melhor? Confira a entrevista completa com o criador, Fábio […]

  11. Gerhard Schlee disse:

    Concordo com o Tiago Rodrigues, o “c” da Helvetica pareceo mais moderno dos 3 mostrados.

  12. Gerhard Schlee disse:

    Sinceramente? A Aktiv é só MAIS UMA alternativa à Arial/Helvetica/Univers.

    O diferencial REAL da Aktiv: esse barulho todo em função do seu lançamento. Como o Fabio Haag mesmo disse, já há quem ame e quem odeie a Aktiv, a polêmica em torno dela já é grande, e o pessoal da DaMa está adorando essa história.

    Arial/Helvetica/Univers são só 3 boas famílias tipográficas, nada (muito) além disso. O que realmente diferencia elas das outras é que elas são OBJETOS DE CULTO. É esse “status cult” que a DaMa está buscando para a Aktiv, e eles estão conseguindo isso, através do incentivo indiscriminado à polêmica, o que gera muita propaganda gratuita.

    Inteligentíssimo, parabéns à DaMa por nos mostrar como vender Design!

  13. Ralph teixeira disse:

    Devo ser um alienígena. Provável que seja um dos poucos designers que nunca sequer pensou em utilizar a helvética, e a arial que é horrorosa me lembro de ter utilizado por obrigação, não por prazer (onde trabalhava a uns 2 anos atrás se tentasse colocar uma tipografia diferenciada, mais legível e elegante os doutores reclamavam. Certa vez coloquei uma garamond, logo me interpelaram dizendo – “é fonte de livro, não pode” – não entendi, quem lê 700 páginas de um relatório técnico, profundo e chato, na minha visão, está lendo um livro, mas como o primeiro “designer” que pisou lá, a uns 10 anos atrás, só utilizava ARIAL, os doutos se acostumaram com esta fonte, o hábito distorce conceitos…).

    Na verdade trabalhar lá me fez repensar muitos dos conceitos aprendidos, porque por mais que “tenhamos os nossos cânones” os hábitos das pessoas sempre predominam sobre qualquer regra, talvez “criando novas regras”.

    Não acho que esta fonte tenha a categoria para substituir a usabilidade e o sucesso da helvética, não que seja apaixonado por ela, mas se cristalizou numa posição privilegiada de segurança e comodidade, virou “tiro certo” e os “designers” desavisados ajudam ainda mais ao continuar utilizando-a de maneira irresponsável e irrefletida.

    Talvez até compre, apesar de ter uma predileção por fontes serifadas e semi-serifadas com “carinha de antigas” – se tiver ruídos e errinhos de desenho melhor ainda.

    Acho que o “conceito de contemporâneo e moderno” é muito relativo, pois culturalmente o ser humano é cíclico, há tendências futuristas e “de volta ao passado” de ano em ano, de ciclo em ciclo, então minhas apostas continuam sempre nas serifadas. Mas é uma questão estilística e uma escolha muito pessoal, até o momento não tive um projeto que tenha me exigido uma tipografia “reta”, pois conceitualmente sempre é possível buscar brechas e ir “na direção” oposta de certas tendências.

    Aliás, acho estranho verificar que os conceitos “modernos e contemporâneos” ainda estejam tão fortemente atrelados aos anos 80 ou mesmo ao início do século XX…estamos em 2010, 30 anos depois, e ainda falamos como “modernidade” tudo o que é reto e desprovido de adornos…Olho para a arquitetura moderna e vejo outros caminhos, vejo cada vez mais prédios muito orgânicos, com soluções de material que “desretificam” o campo de visão de um centro urbano, criando novas formas, buscando sair do convencial do “estilo internacional” e outras tendências estéticas, será que no design sofremos um retrocesso e uma cristalização sobre os arquétipos de “modernidade”? Será que não é o caso de buscarmos novamente nos referenciar no que de fato nos cerca, ir em direção à arquitetura e ao design de interiores e procurar soluções que atendam mais ao ambiente e ao contexto em que vivemos?!

    Ficam aí as perguntas…^^

  14. Fabio Haag disse:

    Tiago,

    Quanto ao ângulo das terminações no C e S, fontes grotescas geralmente os tem retos (precisão industrial), enquanto fontes sem serifas humanistas geralmente os têm em ângulo (herança do traço caligráfico/manual). Qual abordagem é mais contemporânea: não sei dizer, mas garanto que isso varia muito de pessoa para pessoa.

    Gerhard,

    O ‘ataque’ a Helvetica por parte do Bruno Maag, meu diretor, não é recente. Não é para coincidir com o lançamento da Aktiv, nem uma jogada de marketing muito bem planejada. O que está acontecendo é ‘a real’. A vida como ela é. É o que pensamos. E somos honestos por expressar isso. Quem conhece o Bruno sabe que há vários anos, talvez mais de uma década, ele critica a Helvetica em todas as oportunidades – é a sua opinião pessoal, e como quase tudo o que eu sei sobre typedesign hoje, eu aprendi na DaMa, grande parte da visão dele é compartilhada por mim.

    Seria muito mais cômodo pra ele ficar calado, não dar a ‘cara pra bater’. Mas ele é apaixonado por letras e fala disso com emoção cativante, não conseguindo guardar para si suas opiniões.

    E agora, ao invés de continuar resmungando suas opiniões ao ar, ele coordenou a criação da Aktiv. Para materializar a sua visão de como deve ser uma grotesca atualmente, e contou comigo e o Ron para isso.

    Suas opiniões e a polêmica gerada auxilia a divulgação da Aktiv? Sim, com certeza. Porém, isso não é feito ao acaso ou de forma oportunista. É a história real, de um incorformista, que trabalhou e nos propôs outra coisa. Uma atitude construtiva. Todo o debate que está havendo, não só aqui, eu acho que é MUITO válido. Faz parte do papel do designer questionar as coisas, analisa-las com um novo olhar e apresentar novas soluções para, frequentemente, os mesmos velhos problemas. Que possamos discutir mais vezes, questionar formulas prontas décadas atrás, repensar nosso mundo. É pra isso que estamos aqui.

    Ralph,

    Curti muito seu comentário. Concordo com tudo o que você disse. Quanto as perguntas levantadas, de maneira geral sobre a revisão dos conceitos, é preciso lembrar-se que em tipografia, 30 anos não é nada. O desenho de nossas letras não mudou muito desde 1500 – a base das maiúsculas tem quase 2 mil anos. As mudanças estéticas ficarão mais claras e evidentes ao analisarmos períodos de tempo maior. O que eu imagino que se lembrarão, das gerações mais próximas a nossa, é uma constante busca pela facilidade de leitura, otimizando as formas das letras para isso, considerando a variedade de suportes e tecnologias que temos hoje.

    • Ralph teixeira disse:

      Isso é uma verdade, mas também um convite ao desafio – alguns “notórios” do setor já se propuseram a tal, ao redesenhar buscando quebrar esses mesmos padrões, claro que há uma diferença entre existir a vontade de mudança e isso de fato ser efetivado. Mesmo que a base não tenha mudado tanto desde 1500 temos de convir que com o advento industrial o geometrismo ganhou uma força muito grande, a base pode não ter mudado “mas a casca”, exatamente o que foge à “essência” (parâmetro muito conceitual na minha visão, pois essência passou a ser “síntese”), mudou o suficiente para se reconhecer diferenças tácitas e, porque não, uma evolução.

      Sobre tendências seculares sobre o tempo. Não sei nem se essa discussão cabe aqui. Acredito que o tempo para áreas criativas na prática inexiste. Por isso digo que questiono determinadas tendências cristalizadas em épocas específicas, é como se houvesse uma força taxativa e impositora, ditando cânones de tempos em tempos, e é isso que não acredito. Por mais teorias que leia, livros especializados disso e daquilo, o mais atraente é sempre o diferente. E acho curioso como “nos dias atuais” se busca, cada vez mais, o que no passado era o diferente, o “não usual”.

      Enfim, ademais redundamos e convergimos apesar de diferentes visões.

  15. laura disse:

    Muito bom,é uma excelente fonte.

    • Luiz Amorim disse:

      Olá Fábio, primeiramente parabéns pelo desenvolvimento deste tipo, achei sensacional. Imagino várias possibilidades de trabalho com o mesmo.

      Minha pergunta é mais na aquisição da licença,a agência onde trabalho, estava afim de comprar uma (1) licença da mesma, pois estamos passando por um redesign na identidade visual e no site de compra só pode comprar à partir de cinco (5).

      Para obtermos a licença, teremos que comprar as mesmas 5.

      Desde já agradeço a atenção.

      • Fabio Haag disse:

        Muito obrigado Laura e Luis ; )

        A licença básica, com o valor mínimo de R$ 80,00 por estilo, já vem com licenças para 5 usuários, dentro da mesma empresa. Não há como comprar 1 licença, por exemplo, a R$ 16,00 (1/5 do preço mínimo).

        A vantagem é que o valor mínimo já serve para a grande maioria das empresas.

  16. Fábio Lédaq disse:

    Sou um grande apreciador de tipos e ainda vou arrumar um tempo pra desenvolver uns projetos antigos. E também sou fã da Helvetica, uma das fontes mais versáteis que conheço. É claro que ela se popularizou a ponto de ser usada indiscriminadamente, mas não vai ser isso que vai torná-la um tipo ruim.

    Mas vamos falar da Aktiv: achei o tipo excelente, parabenizo o meu xará pelo belíssimo trabalho. O mais legal de se observar é como os detalhes foram minuciosamente desenhados. O C, por exemplo, tem o ângulo superior inclinado e o ângulo inferior, reto. Tenho certeza de que a Aktiv será uma ótima alternativa de uso em relação às outras grotescas.

    Parabéns mais uma vez, Fábio. E continue com o belíssimo trabalho na DaMa.

  17. gosto do desenho, mas acho a família tipográfica desnecessária. não vejo necessidade de novas grotescas, ainda mais se elas mantêm essa tradição que, a meu ver, não faz muito sentido em nosso tempo.

    porém prefiro a aktiv à helvética, mas prefiro a univers à aktiv, mas acho que minha birra é com o genêro das grotescas.

    mudando de assunto, o que mais me deixa feliz disso tuda é o fato uma família tipográfica desenhada por um brasileiro estar fazendo um barulho danado pelo mundo inteiro.

  18. Rx disse:

    Muita pretensão para um trabalho tão inconsistente. não sabe se é tradicional, não sabe se é moderna.. acaba como uma copia capada. ângulos incoerentes, assimetrias sem motivo, muda aqui, muda ali e e não traz nada de novo. era mais fácil gastar esses 6 meses com algo realmente novo.

  19. Roni disse:

    Desculpe a sinceridade, mas ao meu ver não acrescenta quase nada, é um projeto tão revolucionário quanto a arial foi depois da helvetica…

  20. Fabio Haag disse:

    Valeu Gustavo!

    Gustavo, Rx e Roni,

    Ok. Mas lembrem que a ideia do projeto não era revolucionar mesmo, era ir um passo além, em frente as grotescas que tinhamos antes.

    Rx,

    Eu posso aceitar tranquilamente qualquer crítica, menos de que o trabalho é inconsistente, uma cópia, que tem ângulos incoerentes e assimetrias sem motivo.

    Não há porque eu me estender nisso aqui, é justo que cada um tenha a sua opinião e deve sim expressa-la. No entanto, eu não concordo com a sua e tenho muita confiança de que A Aktiv é extremamente bem desenhada.

  21. […] A DaltonMaag é uma foundry multinacional que produz fontes de altíssima qualidade. InterFace e Foco estão entre minhas preferidas, sem contar a polêmica, mas não menos importante, Akitv (saiba mais sobre ela aqui). […]

  22. Moises Hansen disse:

    Parabéns pelo post!
    Muito interessante.

  23. […] mesma forma que a DaltonMaag com sua Aktiv, a FontFont lança uma família que prega o novo paradígma que hoje pode ser rotulado como […]

Deixe uma resposta para Fabio Haag Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: